Má nutrição nos primeiros dias de gravidez afeta o cérebro do bebê

Nos camundongos, um déficit de proteína nos primeiros dias de gravidez tem repercussões na memória do feto.

Segundo uma pesquisa recentemente publicada pelos acadêmicos da Universidade de Southampton, uma dieta pobre em proteínas no início da gravidez pode ter um efeito duradouro no desenvolvimento cerebral do bebê por nascer. O projeto, liderado pela bióloga Sandrine Willaime-Morawek, em colaboração com o professor Tom Fleming (ginecologista), é o primeiro a demonstrar claramente que a má nutrição materna durante os primeiros dias da gravidez em camundongos, conhecida como pré-implante, pode ter efeitos negativos no desenvolvimento cerebral precoce e consequências a longo prazo em adultos.

Má memória de curto prazo em adultos

O artigo "Restrição proteica materna de camundongos apenas durante o pré-implante é permanentemente alterada na proporção de neurônios cerebrais e na memória de curto prazo do adulto", foi publicado na revista Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (PNAS). Especificamente, demonstra que uma dieta materna com poucas proteínas durante o período pré-implante reduz a produção de células-tronco neurais e, por fim, a fabricação de células nervosas no cérebro. Uma disfunção deste último causa a formação de uma memória ruim a curto prazo no adulto.
Estudos anteriores já mostraram que a redução de proteínas na dieta durante a gravidez e a amamentação pode danificar o cérebro do bebê, levando a efeitos duradouros na coordenação, na função cognitiva e até em doenças cardiovasculares e esquizofrenia.

Má nutrição materna desde a concepção

"Nossa pesquisa mostra que a má nutrição materna da concepção em camundongos afeta negativamente o desenvolvimento do cérebro e a memória do adulto", resume Willaime-Morawek. "Também mostramos que o período pré-implantação do feto é o momento chave que determina o fenótipo adulto, talvez até mais", continua ela.

Os ratos estudados, no entanto, sofreram apenas um pequeno déficit nutricional, ingerindo apenas metade da quantidade recomendada de proteína diariamente.