Spina Bifida: bebês operados no ventre de sua mãe

Equipes britânicas e belgas operaram no útero dois fetos com uma malformação relacionada à falta de fechamento do tubo neural na região lombar. Uma novidade no Reino Unido.

Duas gestações incomuns ... no Reino Unido, duas mulheres grávidas foram submetidas a uma operação no último verão que não era diretamente para elas: equipes de médicos intervieram para operar seu futuro filho com uma malformação relacionada à falta de fechamento tubo neural na região lombar. Um desses dois pacientes, Bethan Simpson, decidiu contar no Facebook a história dessa operação, realizada pela mídia britânica O Espelho.

Um exame de rotina durante a gravidez revela que sua futura filha está sofrendo de espinha bífida, uma malformação que deixa exposta uma parte da coluna da criança. De gravidade variável, dependendo do tipo da doença, a espinha bífida tem consequências que variam de paralisia parcial a completa, incontinência ou distúrbios graves dos órgãos genitais.

Cirurgia pré-natal reduz os riscos para a criança

Para uma mulher que deseja continuar a gravidez, existem duas soluções. A primeira, ainda a mais difundida, é operar a criança para resolver essa malformação logo após o nascimento. No entanto, já em 2011, um estudo publicado no Jornal de Medicina da Nova Inglaterra mostraram que as intervenções no útero reduziram significativamente o risco de graves consequências da espinha bífida. Bethan Simpson foi a favor dessa opção, tendo passado por uma bateria de testes e análises para garantir que ela e seu filho apoiariam a operação.

Pela primeira vez no Reino Unido, uma equipe de 30 médicos de diferentes hospitais e universidades iniciou a intervenção. Os especialistas da University College London e do Great Ormond Street Hospital foram reforçados por uma equipe da University of Leuven (Bélgica), que está na vanguarda desse tipo de cirurgia.

Conforme explicado pelo professor Jan Deprest, toda a dificuldade da operação era abrir o útero para ver a coluna da criança, sem desencadear o parto. Uma vez que a coluna estava ao ar livre, era "suficiente" fechar a membrana acima da medula espinhal e a pele do feto. É importante especificar que o bebê, ao contrário do que alguns meios de comunicação explicam, nunca foi extraído do útero para realizar esta operação. As imagens abaixo testemunham isso.

Operações recentes na França

Esse método de intervenção pré-natal, desenvolvido nos Estados Unidos, ainda é muito recente na Europa. Na França, a primeira operação desse tipo data de julho de 2014, no Hospital Paris Armand-Trousseau.

Embora esta malformação seja rara e afete apenas entre 1 e 5 crianças em cada 10.000, as estatísticas fornecidas pela rede Eurocat mostram que o número de casos não diminui. Pelo contrário, até tende a aumentar nos últimos anos.