Inflamação: após um problema cardíaco, o risco de depressão é importante

Pacientes cardíacos são mais propensos a sofrer de depressão, e o oposto também é verdadeiro. Cientistas da Universidade de Cambridge descobriram uma ligação entre essas duas condições: inflamação.

Já foi comprovado que as pessoas que sofreram um ataque cardíaco correm um risco muito maior de sofrer de depressão. No entanto, os médicos não conseguem há muito tempo determinar de onde veio. Mas os cientistas da Universidade de Cambridge acabaram de descobrir o mistério: segundo eles, o elo entre doença cardíaca e depressão é uma inflamação crônica. Seus resultados acabam de ser publicados na revista Psiquiatria Molecular.

Um grande estudo

A inflamação é uma reação natural necessária para combater a infecção. Mas quando se torna crônica, é uma reação do corpo a fatores ambientais negativos, como estresse psicológico ou fatores do estilo de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, hipertensão arterial. inatividade física e obesidade. Este poderia ser o elo entre doença cardíaca e depressão.

Para analisar essa hipótese, o Dr. Golam Khandaker e seu colega, Stephen Burgess, lideraram uma equipe de pesquisadores de Cambridge que examinaram esse link estudando dados de quase 370.000 participantes do Biobank no Reino Unido. "É possível que doenças cardíacas e depressão compartilhem mecanismos biológicos subjacentes comuns, manifestados por duas condições diferentes em dois órgãos diferentes - o sistema cardiovascular e o cérebro", diz o Dr. Golam Khandaker. Ele acrescenta: "Nosso trabalho sugere que a inflamação pode ser um mecanismo comum para essas condições".

Um estudo que abre novas perspectivas

Essa conclusão foi reforçada pela pesquisa da equipe. Eles usaram uma técnica conhecida como randomização mendeliana para estudar 15 biomarcadores - "sinais de alerta" biológicos - associados a um risco aumentado de doença cardíaca coronária. Eles descobriram que os triglicerídeos (um tipo de gordura presente no sangue) e as proteínas IL-6 e CRP relacionadas à inflamação também eram fatores de risco para depressão. IL-6 e PCR são marcadores inflamatórios produzidos em resposta a estímulos prejudiciais, como infecção, estresse ou tabagismo.

Estudos do Dr. Khandaker e outros já demonstraram que pessoas com altos níveis de IL-6 e PCR no sangue têm maior probabilidade de desenvolver depressão e que os níveis desses biomarcadores são altos em alguns pacientes durante um episódio depressivo agudo. Marcadores altos de inflamação também são observados em pessoas com depressão resistente ao tratamento. Isso abre novas perspectivas, como a possibilidade de que medicamentos anti-inflamatórios possam ser usados ​​para tratar alguns pacientes com depressão.